terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O que é Musicoterapia

INTRODUÇÃO À MUSICOTERAPIA

Amanda Viana Pontual
Palestra na Acorde’s Escola de Música
Setembro, 2015



Música inspira, transpira, exala emoções. Desde a canção que toca nas rádios até a maior das sinfonias. Dos bregas que embalam as “dores de cotovelo” aos “batidões” que fazem o corpo dançar. A música, antes de ser arte, é expressão.
Essa expressão que nos move e comove, que também fere e incomoda. As reações diversas e adversas de combinações sonoras que nos fazem tanto bem, como também podem nos fazer mal. E a música é terapia em si mesma. Porém, assim como ampla é a gama de utilizações da música, amplos são os caminhos que levam a música a ser mais do que tocar, ensinar ou utilizar a música para outros fins.
A Musicoterapia é um destes caminhos. O caminho que não visa o estético, nem o aprendizado propriamente dito da música. Mas que utiliza a combinação de sons como um canal de comunicação, que visa, acima de qualquer coisa, a promoção da saúde.
“A Musicoterapia é fruto do encontro entre os saberes ligados à arte e à ciência” (CHAGAS & PEDRO, 2008, p. 37). Talvez seja esta a frase que melhor resume o que é a Musicoterapia hoje. Afinal, este campo que tanto permeou entre o místico, o artístico e que mais do que nunca tenta fincar raízes no científico, tem se revelado uma junção destas bases, assim como era no passado, quando a ciência e a filosofia não eram seccionadas. Quando os saberes eram interligados.
A música enquanto elemento terapêutico não se constitui numa teoria nova. Se buscarmos no passado, veremos que a mesma é utilizada desde o início da civilização moderna. Ou até mesmo antes disso.
Rolando Benenzon (1985), relata que os primeiros escritos sobre a utilização da música para fins terapêuticos datam de 1500 antes de Cristo. Papiros encontrados em Kahum no Egito, por Petri em 1899 já trazem relatos sobre a utilização da música na fertilidade das mulheres. Bem como em passagens bíblicas, como em Samuel (16:23), no qual é citado que Davi utiliza a harpa para afastar os maus espíritos de Saul.
O berço da civilização, a Grécia, traz a música sob uma ótica científica. “O conceito de uma força terapêutica ou ‘harmonizadora’ na música tem prevalecido na estética e educação musical desde a Grécia antiga.” (RUDD, 1990, p. 15). Filósofos, matemáticos e pensadores. Homens como Pitágoras, Platão e Aristóteles utilizavam a música como meio de se chegar a uma harmonia de corpo, mente e espírito, promovendo a saúde e o bem estar.

Na Antiguidade, Pitágoras, sábio grego que acreditava no princípio numérico como base da existência do universo, escutava o som das estrelas e por meio dessa sonoridade curava seus discípulos. Platão e Aristóteles, por sua vez, indicavam melodias construídas em determinados intervalos e escalas com o objetivo de colaborar com a formação dos jovens. A música foi ciência. (CUNHA, 2009, p. 2).



Porém, a visão totalitária da ciência foi sendo abandonada ao longo dos séculos, sendo substituída pela razão e experimentação. Toda ação, para ser aceita no meio científico, deve passar por uma série de testes que comprovem sua eficácia. A química se sobrepõe aos demais tratamentos.

A música perdeu, no entanto, por todo o século XIX, muito de sua influencia como “poder terapêutico” usual devido ao enfraquecimento geral do conceito de estética em medicina e ao crescimento da filosofia positivista de ciência, enfatizando o método experimental de procedimentos baseados na ciência natural. (RUUD, 1990. P. 17)

O caminho de volta da música ao campo científico da promoção da saúde começou a ser galgado meio que ao acaso. Músicos profissionais foram contratados no pós guerra, nos Estados Unidos, como meio de distrair soldados egressos das batalhas. Mutilados física e psicologicamente, estes soldados passam a ter uma melhora em seus quadros ao serem submetidos às sessões com música. “A experiência musical provocou uma mudança no quadro clínico daquelas pessoas” (CHAGAS &. PEDRO, 2008, p. 37).
Porém, aos poucos foi-se percebendo que, para se obter melhores resultados, não bastava apenas que o profissional fosse um bom músico. Era preciso que o mesmo fosse também um terapeuta. A diferença está na visão e no plano a ser abordado com cada paciente. A visão de um músico é basicamente estética, e sua abordagem prioriza a execução musical. Um terapeuta irá traçar um plano para cada situação, cada paciente ou grupo de pacientes, com uma visão muito mais voltada para a promoção da saúde do que para o sentido estético da música.
Para tanto, era preciso estabelecer um plano de formação para esta nova área. “Eles avaliaram, então, a necessidade de se estabelecer um plano para a formação de profissionais especializados na aplicação científica da música e seus elementos: ritmo, altura, intensidade e timbre” (CUNHA, 2009, p.3).
Desta forma, foram surgindo cursos em níveis de especialização e graduação em Musicoterapia, com a finalidade de preparar o profissional Musicoterapeuta para o campo de atuação.
A Musicoterapia abrange áreas com as de reabilitação motora, no tratamento de paciente neurológicos, psíquicos, ou simplesmente de prevenção de doenças. Não há um campo único e exclusivo para o uso da Musicoterapia. A mesma é tida também como terapia complementar à fisioterapia, psicologia, psiquiatria, fonoaudiologia, etc.

Atualmente, a Musicoterapia tem sido utilizada em diversos campos distintos, como na reabilitação motora, no tratamento de problemas psicológicos, e até mesmo como prevenção de enfermidades, promovendo, acima de tudo, saúde. A Musicoterapia pode e deve ser associada a outras práticas clínicas para que obtenha melhores resultados e possa contribuir de maneira mais eficaz com os planos de tratamentos propostos. (PONTUAL, 2014, p. 33)
O profissional Musicoterapeuta atua com o CBO (Código Brasileiro de Ocupações) número 2263-05, como subárea de “Profissionais das terapias criativas, equoterápicas e naturológicas”, como consta no Portal do Trabalho e Emprego, do Governo Federal (2015). É reconhecido o profissional com graduação em Musicoterapia e os portadores de especialização na referida área.
O conceito de Musicoterapia variou durante anos. A última convenção da Word Federation of Music Therapy assim a descreve:

A utilização da música e/ou de seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia), por um Musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, em um processo destinado a facilitar e promover comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de atender às necessidades físicas, mentais, sociais e cognitivas.
A Musicoterapia busca desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo para que ele ou ela alcance uma melhor organização intra e/ou interpessoal e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento. (WORLD FEDERATION OF MUSIC THERAPY, 1996, apud CHAGAS et PEDRO, 2008, p. 39)


Enquanto campo de atuação, a Musicoterapia ainda busca seu espaço e reconhecimento, muito embora tenha crescido consideravelmente nos últimos anos, muito em virtude das políticas de humanização da saúde.
A Musicoterapia ainda compete com a desinformação, que leva muitas instituições a contratarem músicos sem formação específica para atuarem no campo terapêutico. A luta do profissional Musicoterapeuta se dá pelo reconhecimento da área com bases nos estudos científicos que comprovam a eficácia da utilização da música na promoção da saúde, aliada ao plano de tratamento proposto pelo profissional, que difere em sua base do plano da educação musical.


REFERÊNCIAS:

BENENZON, Rolando O. Manual de Musicoterapia. Tradução de Clementina Nastari. Rio de Janeiro: Enelivros, 1985.

CHAGAS, Marly; PEDRO, Rosa. Musicoterapia: Desafios entre a modernidade e a contemporaneidade - Como sofrem os híbridos e como se divertem. Rio de Janeiro: Mauad X-Bapera, 2008.

CUNHA, Rosemyriam. Musicoterapia na Abordagem ao Portador de Doença de Alzheimer. 2009. Disponível em www.fap.pr.gov.br_arquivos_File_RevistaCientifica2_rosemyriamcunha Acesso em 07 de março de 2012.


PONTUAL, Amanda Viana. Musicoterapia como Terapia Complementar ao Tratamento das Perdas Neurodegenerativas da Memória da Doença de Alzheimer. Monografia de conclusão do Curso de Especialização em Musicoterapia da FACHO. 2014

Portal do Trabalho e Emprego. Disponível em http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorTituloResultado.jsf Acesso em 12 de setembro de 2015.

RUUD, Even. Caminhos da Musicoterapia. Tradução Vera Wrobel. São Paulo: Summus, 1990.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Família dos Instrumentos: Metais



Os metais.


Os principais instrumentos são os trompas, os trompetes, os tubas e os trombones.

Trompa: Surgiu na França, por volta de 1650. Como um desenvolvimento da trompa de caça, que, por sua vez, se originou dos primitivos instrumentos feitos com chifres de animais. Já no final do século XVII foi integrada à orquestra.
Trompa de caça

Consiste num longo tubo cilíndrico de 2 metros, recurvado sobre si mesmo numa espiral de duas voltas. Na extremidade mais estreita, localiza-se o bocal, em forma de funil, e, na outra, o pavilhão. O som é controlado por 3 válvulas, incorporadas ao instrumento no início do século XIX pelos fabricantes Blühmel e Stölzel (alemães) e Leopold Uhlmann (austríaco). Esse mecanismo permitiu a execução de todos os sons cromáticos da escala.
A trompa emite um som aveludado e suave e sua afinação é em fá ou si bemol. Alcança 2 oitavas e uma Quinta (si3 a fá4). Considerada indispensável na orquestra a partir de 1830, foi utilizada também como solista por inúmeros compositores. Um dos efeitos utilizados na trompa é a “surdina”, que se consegue quando o intérprete coloca a mão ou uma peça de madeira no pavilhão, obtendo um apagamento do som.



Trompete: O mais agudo entre os metais, o trompete se originou, provavelmente, no Egito Antigo, no II milênio antes de Cristo, tendo adquirido importância como instrumento musical a partir do século XVII, ao ser introduzido na orquestra.
Sua forma atual data da primeira metade do século XIX, quando os fabricantes alemães Blühmel e Stölzel criaram o sistema de 3 pistões, que tornou o instrumento mais versátil, aumentando seu registro e tornando sua execução menos difícil. Pode ser afinado em ré ou, mais comumente, em si bemol ou dó.
Consiste num tubo cilíndrico recurvado sobre si mesmo, em cujas extremidades ficam o pavilhão e o bocal. A qualidade do som pode ser modificada com a surdina, peça de madeira introduzida no pavilhão. Alcança 2 oitavas e meia, começando do fá abaixo do dó médio.
Tem sonoridade brilhante e penetrante. É muito usado pelos compositores em uníssono com as cordas e as madeiras da orquestra, como também em solos.



Tuba: O mais grave entre os metais, a tuba surgiu por volta de 1835, em Berlim, inventada por Wilhelm Wieprecht e construída por Johann G. Moritz. No entanto, o modelo mais comumente empregado na orquestra foi desenvolvido, por volta de 1845, pelo belga Adolphe Sax.
Consiste num tubo cilíndrico, recurvado sobre si mesmo, e que termina num pavilhão em forma de sino. O som é controlado por válvulas ou pistões, cujo número varia de 3 a 5. De timbre suave e surpreendentemente ágil, apesar de seu grande porte, a tuba foi introduzida na orquestra por volta de 1850. É afinada em fá e alcança 3 oitavas (fá1 a fá3).
Indispensável na orquestra sinfônica foi por vezes utilizada em solos orquestrais. É muito usada também nas bandas militares.

                                          

A “tuba wagneriana”, idealizada por Wagner para a sua tetralogia O anel dos Nibelungos, possui estrutura semelhante à da trompa (bocal e pavilhão recurvado). É afinada em si bemol e em fá e sua extensão vai do mi bemol1 ao ré4. Além de Wagner, Bruckner, R. Staruss e Stravinsky utilizaram-na em algumas de suas obras.

                 Tuba Wagneriana
                                                        

Trombone: Surgiu provavelmente na França quinhentista, a partir de modificações introduzidas no trompete. Sua principal característica são as varas corrediças, cuja função é controlar a emissão e a altura do som.
O corpo principal; do instrumento, extremamente simples, é formado por dois tubos paralelos, presos um ao outro. Numa extremidade está o bocal e na outra o pavilhão. Atualmente, é construído em 3 tamanhos: tenor, contralto e baixo. O primeiro é o mais utilizado em orquestras sinfônicas e é afinado em si bemol, soando uma oitava abaixo do trompete.  No registro baixo, também pode ser afinado em Sol.
Indispensável à orquestra, na qual foi introduzido por Beethoven, foi tratado como solista por muitos outros compositores também.
No século XIX, um outro tipo de trombone, denominado de êmbolos, com 3 válvulas, era muito empregado nas orquestras, mas acabou perdendo seu lugar para o trombone de vara.

 

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