domingo, 19 de março de 2017

Chuck Berry: O Pai do Rock n' Roll


"Se o Rock-and-Roll tivesse que ser renomeado, ele teria que se chamar 'Chuck Berry' e nada mais". Nas palavras de John Lennon, o respeito e o reconhecimento sobre aquele que foi um dos pioneiros do Rock, juntamente com Ike Turner, Muddy Waters e Little Richard.



Charles Edward Anderson Berry nasceu em St. Louis em 18 de outubro de 1926. Vindo de uma família de classe média, Berry cresceu em uma América marcada pelo racismo, porém, como dizia o próprio, nunca passou fome. Teve diversos problemas com a lei, sendo talvez um dos primeiros bad boys do Rock, contrastando com o bom-mocismo do coroado "Rei do Rock" Elvis Presley. Apesar de pobre, Elvis contava com a qualidade de ser branco e religioso, o que ajudou o Rock a entrar nas rádios e programas de televisão. Mas foi Berry quem realmente "juntou as peças" para criar o estilo.

Chuck Berry ladeado por Eric Clapton e Keith Richards


A música de Berry não era profunda. Não falava de amor, nem de política, tampouco de questões sociais. Era o Rock bruto, até meio bobo em suas letras que falavam de pegar garotas e andar em carrões. O próprio Berry desdenhou dos temas abordados em suas canções no documentário "Hail! Hail! Rock n' Roll". Disse que fez apenas para ganhar dinheiro, pois já contava quase 30 anos quando compôs músicas quase adolescentes. O fato é que ele as criou. E sem ele, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Beatles e Rolling Stones talvez nunca tivessem existido. Keith Richards chegou a dizer que Berry fora "o sujeito que fez com que ele pegasse numa guitarra e não a largasse mais para o resto da vida",


Berry morreu no dia 18 de março de 2017, aos 90 anos de idade, quando se preparava para lançar seu álbum Chuck. O primeiro com gravações inéditas desde 1979.

A guitarra

Chuck Berry é também considerado um dos maiores guitarristas de todos os tempos, estando na posição de número 7 na lista da revista Rolling Stones.

Sua paixão era o modelo ES-350T da Gibson. Com esta guitarra, realizou a gravação de todos os seus discos. Muito embora tenha usado outros modelos em apresentações ao longo da vida.



Alguns dos solos mais memoráveis de sua carreira estão nas músicas Roll Over Beethoven e Johnny B. Good. Ambas as músicas obtiveram inúmeras regravações, o que desagradava Berry por ter feito canções que viriam a enriquecer produtores e cantores brancos.

Além de Keith Richards, Berry influenciou uma grande quantidade de guitarristas. Jeff Beck declarou que "roubou" um pouco do estilo de Berry. Outro que sentiu de perto esta influência foi Bruce Springsteen, que chegou a se apresentar algumas vezes ao lado do ídolo.

Bruce Springsteen e Chuck Berry

Hail! Hail! Rock And Roll

Em 1987 foi lançado o documentário Hail! Hail! Rock and Roll, em homenagem aos 60 anos de Chuck Berry. Dirigido por Taylor Hackford e produzido por Keith Richards, Stephanie Bennet e o próprio Berry, o filme se propõe a resgatar um pouco da história do Rock e do próprio Berry, cuja carreira despencou a partir dos anos 60 devido em grande parte aos seus problemas judiciais.



A produção do documentário é descrita por Keith Richards como um pesadelo. Muito por causa do gênio explosivo e arrogante do próprio Berry. Seja como for, o documentário é uma importante peça para a história do Rock e conseguiu colocar de volta Chuck Berry no pedestal em que ele merce estar.

Duck Walk

Além de sua versatilidade na guitarra, sua voz (que ele se inspirou em seu ídolo Nat King Cole) e do ritmo e letras peculiares de sua música, Chuck ficou conhecido por um estilo diferente de performance de palco, o Duck Walk, ou andar de pato.

Chuck Berry e Angus Young do AC/DC


Com os joelhos levemente dobrados, Chuck pulava com um dos pés à frente do outro, semelhante a um andar de pato. Esse estilo foi copiado por Angus Young, guitarrista do AC/DC e eternizado no filme De Volta Para o Futuro.



Referências:

Guitar Collection Vol. 12. Editora Salvat do Brasil. São Paulo, 2014.

http://chuckberry.com/biography/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Chuck_Berry

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/03/1867858-chuck-berry-foi-o-maior-idolo-do-rock-and-roll.shtml

http://g1.globo.com/musica/noticia/como-chuck-berry-juntou-as-pecas-para-inventar-o-rock-and-roll.ghtml

https://en.wikipedia.org/wiki/Hail!_Hail!_Rock_'n'_Roll

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dan%C3%A7a_do_pato

http://www.suasletras.com/fotos_artista/ff91571e3909c952c0940e56f35b963e.jpg

https://www.morrisonhotelgallery.com/images/big/55887206.jpg

http://s4.reutersmedia.net/resources/r/?m=02&d=20170319&t=2&i=1177116552&w=780&fh=&fw=&ll=&pl=&sq=&r=2017-03-19T003014Z_25948_MRPRC15116B26D0_RTRMADP_0_PEOPLE-BERRY

http://i0.wp.com/www.theadditionstudio.com/wp-content/uploads/21GibsonEs350ChuckBerry.jpg

http://media.themalaymailonline.com/uploads/articles/2017/2017-03/Springsteen_Chuck_Berry_190317.JPG

http://images.livrariasaraiva.com.br/imagemnet/imagem.aspx/?pro_id=9392951&qld=90&l=430&a=-1

https://www.acdcbrasil.net/wp-content/uploads/angus-young-e-chuck-berry-duck-walk.jpg

segunda-feira, 13 de março de 2017

Heitor Villa-Lobos: Da Infância à Juventude


O som ecoa pelas frestas da porta do quarto. O pequeno Tuhu se sente atraído pela música que toca na sala de sua casa. Desce a escada e esconde-se atrás de um móvel para ouvir, até que é avistado pelo seu pai, que lhe dá uma bronca e o manda subir. A mãe do jovem chega para colocá-lo em sua cama e ouve a indagação: "Por que não posso ouvir aquelas músicas? Não é injustiça?". Logo sua mãe acalmava-o dizendo: "As crianças devem dormir cedo para acordar cedo e aproveitar bem o dia, como os passarinhos". "Os passarinhos cantadores?", e assim adormecia o menino.



Foi numa destas escapadelas que o pequeno Tuhu, ouviu pela primeira vez a obra de Bach. E como ficar imune a esta música celestial? Desceu alguns degraus da escada e pôs-se a escutar, adormecendo ali mesmo. Sua mãe o coloca de volta em sua cama e ele desperta com uma pergunta:


- Mãe, que música era aquela que parecia vir do céu? 
- Bach.
- Quem é Bach?
- Foi um grande compositor que viveu há muitos anos.
- Já morreu? Está no céu?
- Está.
- Pois um dia, no céu da música, vou me encontrar com Bach. (Silva, 1974)
Vendo que não havia outro jeito, senão incentivar seu filho a estudar música, seu pai então começa a dar-lhe aulas de violoncelo. Contando com apenas 4 anos, Raul manda adaptar um espigão em uma viola, criando assim um cello especial ao pequeno Villa.

Aos 6 anos, um evento especial na vida do pequeno Heitor. Sua família passou uma temporada em Bicas e em Cataguases, no interior de Minas, fugindo de uma possível perseguição política devido a oposição de Raul Villa-Lobos à Floriano Peixoto. Lá, Tuhu conheceu o som da viola sertaneja, das rabecas e sanfonas.


Apaixonado por aquela moda, o menino fugia constantemente de casa para estar entre os violeiros nas rodas regadas a cachaça, o que tirava o sossego de sua mãe. Ele perguntava aos músicos com quem haviam estudado, e ficava encantado ao saber que aprendiam de ouvido. Também se encantou com os sons da natureza, das vacas a mugir e dos pássaros a cantar. Essa experiência serviria anos depois para as buscas e composições do maestro Villa-Lobos.

Aos 8 anos, escondido do pai, resolve experimentar o clarinete deste. Ao ouvir os sons estridentes, o pai chega ao pé de Tuhu e com a cara amarrada lhe dá a ordem: "Pega a clarineta já! E logo mais tens que me tocar toda a escala, ouviste?". (SILVA, 1974, p. 45). Ao chegar mais tarde, o menino toca para ele as escalas maiores e menores no instrumento. O pai sorri por dentro de sua aparente dureza, pois havia em sua linhagem um filho músico.

O professor Raul era exigente. Ao surgir qualquer som, seja de um bonde a passar, um apito ou um arrastar de cadeira, perguntava ao jovem Heitor: "Qual o tom?" e este lhe respondia sempre corretamente 

Aos 11 anos, uma tragédia. Seu pai Raul falece, com apenas 39 anos, de varíola. Perde um pai e um professor. A música deveria ficar em segundo plano. Sua mãe desejava que ele fosse médico. Mas não havia mais volta. Heitor nascera para ser músico. Aos 12 anos começa a compor. E, para desespero de sua mãe, fugia às noites para meter-se em rodas de chorões.
Villa-Lobos aos 18 anos

O clarinete e o violoncelo eram uma alegria para Heitor. Mas era o violão a sua verdadeira paixão. E nele, Villa-Lobos iria compor algumas de suas obras mais notáveis.

Continuem a jornada pela vida de Villa~Lobos nos próximos artigos.
 Aproveitem e leiam o primeiro capítulo da série


Referências:

BUENO, Roberto. Pedagogia da Música - Vol. 1. Keybord Editora Musical LTDA. Jundiaí, 2011

SILVA, Francisco Pereira da. Villa-Lobos. Ed. Três. São Paulo, 1974

Grandes Compositores da Música Clássica: Villa-Lobos. Abril Coleções. São Paulo, 2009

Antônio Carlos Gomes, José Pablo Moncayo, Heitor Villa-Lobos, Alberto Ginastera: Royal Philharmonic Orchestra. Mediasat Group S.A.: texto e documentação Eduardo Rincón: tradução Eliana Rocha. Publifolha. São Paulo 2005 (Coleção Folha de Música Clássica)

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segunda-feira, 6 de março de 2017

Villa-Lobos: Uma Vida de Paixão


Em comemoração aos 130 anos do Mestre Heitor Villa-Lobos, este blog inicia uma série de artigos em homenagem a este que é provavelmente o maior nome da música brasileira.

No dia 5 de março de 1887, no Rio de Janeiro, nascia o pequeno Tuhu (seu apelido de criança). Filho de Raul Villa-Lobos, professor e funcionário da Biblioteca Nacional, e de Noêmia Monteiro Villa-Lobos, filha do músico Santos Monteiro, notável autor de quadrilhas. Seu pai também foi um grande incentivador da música. Fundou a Sociedade de Concertos Sinfônicos do Rio de Janeiro, a primeira desta cidade, e com eles realizava saraus 2 vezes por semana em sua casa.

Villa-Lobos teve pressa em nascer. O pequeno veio ao mundo com 7 meses de gestação. Mas assim que começou a dar seus primeiros passos, tornou-se um saudável menino, astuto e travesso, que sempre achava uma forma de se esgueirar pelas escadas à noite para ouvir os saraus de seu pai. E nestas audições, ouviu e se apaixonou pela música de Bach, jurando que quando crescesse, faria música tão bela como a deste.

"O amor de Villa-Lobos, desde cedo, pela música, vem do avô materno – o autor de Quadrilha das moças – e principalmente vem do pai. Nas noites de música que o professor Raul promovia em sua casa, Villa-Lobos conseguia escapulir do leito, sem ser notado pela mãe, e aproximava-se da sala onde o pai e os amigos tocavam. "(SILVA, 1974, p.41)


Falaremos um pouco mais do pequeno Villa-Lobos nos próximos artigos.

Neste ambiente musical intenso, Villa-Lobos teve seus primeiros professores e deu seus primeiros passos na música. Foi músico orquestral e popular, compositor, pesquisador aos moldes de Bartók (viajando pelas diversas regiões do país e catalogando formas e estilos musicais) e teve um dos seus maiores destaques como educador musical. Seu método de Canto Orfeônico foi difundido por décadas nas salas de aula do país.

Também foi um dos principais personagens da Semana de Arte Moderna de 1922. Nacionalista do fio do cabelo até a unha do pé, podemos dizer que Villa-Lobos foi o primeiro compositor brasileiro da chamada música erudita a se desligar completamente das escolas europeias e criar um estilo genuinamente brasileiro,

Acompanhem nas próximas postagens mais sobre a vida e a obra de Heitor Villa-Lobos.

Referências:

BUENO, Roberto. Pedagogia da Música - Vol. 1. Keybord Editora Musical LTDA. Jundiaí, 2011

SILVA, Francisco Pereira da. Villa-Lobos. Ed. Três. São Paulo, 1974

Grandes Compositores da Música Clássica: Villa-Lobos. Abril Coleções. São Paulo, 2009

Antônio Carlos Gomes, José Pablo Moncayo, Heitor Villa-Lobos, Alberto Ginastera: Royal Philharmonic Orchestra. Mediasat Group S.A.: texto e documentação Eduardo Rincón: tradução Eliana Rocha. Publifolha. São Paulo 2005 (Coleção Folha de Música Clássica)